Informativo 05/2016



        Fonte Ilustrativa:http://www.autofire.com.au/images/pic-service9d.jpg

Combate à Incêndio por Agente Gasoso

    “O fogo tem sido de grande importância para os seres humanos desde os períodos pré-históricos.

   Quando produzido de forma voluntária e controlada, está presente em nosso dia-a-dia, na forma de fogões, motores à combustão interna, calefatores, isqueiros, aquecedores de água, etc. e como principal fonte de calor em quase todos os processos industriais.

   O problema surge quando o fogo aparece de forma involuntária, acidental e fora de controle.

   Nesse caso, passa a ser um elemento destruidor de vidas e patrimônios, sendo uma preocupação constante desde a antiguidade e certamente continuará a ser também no futuro.

   No início, a água era a melhor forma de se combater incêndios, mas à medida que a civilização foi se modernizando, foram surgindo novos materiais, processos industriais, novos combustíveis, petróleo, materiais sintéticos, etc., obrigando o aperfeiçoamento dos equipamentos à base de água e o desenvolvimento de elementos extintores mais modernos, tais como, pó químico, gases, espuma proteínica e sintética, etc..

   Quando desejamos combater incêndios em locais que possuem objetos de alto valor agregado como CPDs, salas de controle, centrais telefônicas, salas-cofre, arquivo de dados, laboratórios, bibliotecas e museus de arte, temos de pensar num agente extintor limpo, que não deixe resíduos, que não seja corrosivo, não-condutor de eletricidade, enfim, que não provoque destruição no ambiente protegido após seu uso.

   No atual estágio tecnológico dos equipamentos de combate a incêndio, os gases se tornaram a melhor alternativa para esses casos, pois funcionam como agentes extintores totalmente limpos e após sua atuação é necessária somente uma adequada ventilação no ambiente para o reinício das atividades do local.

   Por mais de cem anos, agentes gasosos como o dióxido de carbono (CO2), argônio, nitrogênio, etc., são utilizados eficazmente no combate a incêndios e inertização em diversas atividades industriais e comerciais, por meio de sistemas fixos ou extintores portáteis.

   Em 1929 foi elaborada nos Estados Unidos a norma NFPA 12 (National Fire Protection Association), fornecendo os requisitos mínimos necessários para todos os projetos, instalações e manutenções de sistemas de dióxido de carbono (CO2).

   Apesar de antiga, essa norma é atualizada rotineiramente e sua última versão é a de 2005.

   No Brasil e no mundo todo a norma NFPA 12 é considerada como o principal documento técnico na elaboração de projetos de combate a incêndios por CO2, juntamente com os regulamentos locais.

   A principal deficiência dos sistemas de CO2, argônio ou nitrogênio é que combatem incêndios retirando o oxigênio do ambiente, consequentemente trazendo riscos de acidentes de asfixia em pessoas que possam estar no local da descarga do agente gasoso.

   Na década de 60 e início de 70, várias empresas químicas desenvolveram gases para aplicação em extinção de incêndios, que tinham como característica apagar o fogo sem a retirada significativa de oxigênio do ambiente.

   Dentre os diversos gases lançados no mercado, o único que teve larga aceitação comercial foi o Halon 1301 (bromotrifluormetano) fabricado pela DuPont.

   Podia ser usado em ambientes normalmente habitados sem nenhuma restrição à presença de seres humanos, pois não era considerado asfixiante.

   Utilizado em concentrações entre 5 a 7%, ocupava menos espaço quando comparado ao CO2, que era aplicado em altas concentrações entre 34 a 60% em volume. Havia também o Halon 1211, utilizado em extintores portáteis devido à sua alta capacidade propelente.

   A norma NFPA 12A, Sistemas de Extinção de Incêndio por Halon 1301, foi publicada oficialmente em 1970 e forneceu requisitos e orientações para os projetos e instalações de sistemas fixos utilizando gás Halon 1301.

   Esse período coincidiu com a rápida expansão dos centros de computação, locais com equipamentos sofisticados e delicados, o que fez do Halon 1301 um produto-padrão, largamente utilizado na proteção dess tipo de ambiente, desde seu lançamento até 1987.

   O Protocolo de Montreal de 1987 foi um marco histórico na utilização de agentes gasosos destinados ao combate de incêndios.

   Esse documento tinha como objetivo o controle e a eliminação em âmbito global, da emissão na atmosfera de substâncias capazes de destruir a camada de ozônio, dentre os quais o Halon 1211 e Halon 1301, tendo o Brasil ratificado oficialmente o protocolo em 1994, junto com outros 23 países.

   A proibição do uso, comercialização e importação de substâncias controladas pelo Protocolo de Montreal foi regulamentada no Brasil por meio das Resoluções do CONAMA de número 13 de 13/12/95 e número 229 de 20/08/97, depois substituídas pela número 267 de 14/09/2000.

   Características dos agentes gasosos

   Ao efetuamos a análise de risco de um determinado ambiente, temos de avaliar todos os riscos e um dos mais temidos é o incêndio.

   Selecionar um produto de extinção de incêndio, dentro das alternativas existentes no mercado, é uma atividade meramente técnica, pois para cada tipo de combustível ou risco existe um agente extintor recomendado.

   Mas essa decisão não se restringe a apagar o fogo, cabe ao gerenciador de riscos avaliar os efeitos colaterais pós-operação de extinção, ou seja:

       • danos causados aos equipamentos ou máquinas.

       • tempo para limpeza da água, sujeira ou resíduos no local.

       • tempo para retorno das atividades operacionais.

       • tempo para recolocar o sistema on-line.

       • descarte da água utilizada no combate a incêndio.

   Se o ambiente a ser protegido possuir equipamentos de alta tecnologia, alto valor agregado, sensíveis, de reposição complicada ou essenciais à continuidade das operações do local, normalmente a escolha de um sistema de extinção de incêndios se dá a favor dos agentes gasosos.

   As principais características dos agentes extintores gasosos são:

       a) não conduzem eletricidade.

       b) vaporizam rapidamente e não deixam nenhum resíduo.

       c) são adequados para incêndios classe A, B ou C.

       d) após a extinção, permitem o reinício imediato das atividades do local. ”

(A Segurança contra incêndio no Brasil / Projeto Editora, 2008, pp. 277 a 278)


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